O Instituto de Arte Contemporânea (IAC) apresenta a exposição Modus Operandi, dedicada ao processo criativo de Regina Silveira, uma das mais importantes artistas brasileiras contemporâneas. A exposição não se limita a reunir obras icônicas de sua trajetória, mas convida o público a mergulhar na metodologia rigorosa e investigativa que caracteriza sua produção. Através de maquetes, esboços, esquemas e estudos preparatórios, a artista desvenda os bastidores de sua obra, revelando o pensamento visual que estrutura sua prática.

Regina Silveira​
Corredores para Abutres – desenho preparatório, 1982
Lápis e caneta sobre papel milimetrado

Dividida em oito núcleos, a exposição percorreu diversos países, consolidando-se como um marco na trajetória da artista e na difusão internacional de sua obra. Cada núcleo destaca diferentes aspectos de sua pesquisa, evidenciando as múltiplas abordagens e suportes utilizados por Regina Silveira ao longo de sua carreira.

​Regina Silveira sempre explorou a relação entre luz e sombra, presença e ausência, real e ilusório.

 

“de um modo geral, as exposições trazem os produtos acabados, irretocáveis, deles expurgando os passos complexos, os desvios e as deformacões que os levaram a existir. Regina Silveira vem ao IAC para desvendar seu processo de trabalho, coloca-o sobre a mesa, à vista de todos.”

​— Agnaldo Farias, curador

 

Essa abertura permite ao espectador compreender a dimensão conceitual e técnica de sua obra, que transita por diferentes suportes e escalas, sempre marcada por um rigoroso planejamento e experimentação.

Regina Silveira​
Série Irruption 2025​
vinil sobre parede e piso

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A exposição também ressalta a importância da recente doação de parte de seu arquivo ao IAC, ampliando o acervo da instituição e garantindo a preservação de um dos mais significativos conjuntos documentais da arte contemporânea brasileira. Essa iniciativa reforça o compromisso do IAC com a memória e a disseminação do conhecimento sobre a produção artística do país.


O conjunto de obras e documentos apresentados em Modus Operandi destaca a persistente investigação de Regina Silveira sobre os mecanismos da percepção e as convenções do olhar.

 

“mais ou menos deformadas, as sombras em Regina Silveira aludem à diversidade de pontos de vista. Mais ainda: à diversidade daquilo que o senso comum afirma ser real.”

— Agnaldo Farias, curador

 

A artista desmonta e reconstrói as imagens, ampliando os limites do que se entende por representação e ilusionismo, provocando novas leituras sobre o mundo visual que nos cerca.

Modus Operandi é, portanto, mais do que uma retrospectiva: é um convite a percorrer os caminhos da invenção, a entender as ausências que moldam as presenças e a refletir sobre a potência transformadora do olhar. Com esta exposição, o IAC reafirma seu papel como guardião da história da arte contemporânea brasileira, proporcionando ao público uma experiência singular e enriquecedora.

MÚLTIPLOS REGINA SILVEIRA

Como parte do compromisso do Instituto de Arte Contemporânea (IAC) com a preservação e difusão da arte contemporânea brasileira, o programa Amigos do IAC lança uma edição especial de múltiplos inéditos de Regina Silveira. Derivados da obra Corredores para Abutres, esses múltiplos foram criados especialmente para apoiar as atividades da instituição, reafirmando a importância da colaboração entre artistas e o IAC na captação de recursos para a manutenção de seu acervo e programação.


A obra original, Corredores para Abutres, é composta por 11 placas quadradas de pedra ardósia, cada uma com 40 cm de lado, com imagens gravadas digitalmente. Para esta edição especial do programa Amigos do IAC, Regina Silveira desenvolveu duas opções de múltiplos, réplicas quadradas de 25 cm de lado. Cada peça acompanha um certificado assinado pela artista e um livreto intitulado Corredores para Abutres, com texto de Teixeira.


Os múltiplos do programa Amigos do IAC tornam acessível o trabalho de grandes artistas e contribuem para a sustentabilidade da instituição. Com essa iniciativa, o IAC reforça seu compromisso com a preservação e difusão da arte contemporânea no Brasil.

Regina Silveira, Porto Alegre, RS, Brasil, 1939.

Bacharel em Belas Artes pelo Instituto de Artes da UFRGS (1959); Mestre (1980) e Doutora (1984) pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, Brasil, desde a década de 60 a artista tem uma extensa carreira docente, no Brasil e no exterior.

Participou de diversas bienais, como Bienal de São Paulo (1981, 1983, 1998, 2022), Bienal Internacional de Curitiba (2013, 2015) Bienal do Mercosul (2001, 2011), Porto Alegre, Brasil; Bienal de La Habana, Cuba (1986, 1998 e 2015); Médiations Biennale, Poznan, Polônia (2012); 6ª Bienal de Taipei, Taiwan, (2006); 2ª Trienal de Setouchi, Japão (2016); Bienal Sur, Argentina (2017) e Riad (2019). Algumas das suas exposições coletivas mais recentes são: “Sous les Pixels, la Matière”, Pont du Gard, França, 2024; “Walking through Walls”, Martin Gropius Bau, Berlim, Alemanha, 2019; “Die Macht der Vervèelfältigung”, Leipziger Baumwollspinnerei, Leipzig, Alemanha 2019; “Radical Women: Latin American Art”, 1960-1985, Hammer Museum, Los Angeles, EUA, 2017; Brooklyn Museum, NY, EUA, 2018, Pinacoteca do Estado, SP, Brasil, 2018; “Mixed Realities”, Kunst Museum, Stuttgart, Alemanha, 2018; “Imprint”, Academy of Fine Arts, Varsóvia, Polônia, 2017; “Future Shock”, Site Santa Fe, Novo México EUA, 2017; “Consciência Cibernética (?)”, Itaú Cultural, São Paulo, Brasil, 2017.

As últimas exposições individuais de Regina são: “Destructures For Power”, La Virreina, Centre de la Imatge“, Barcelona, Espanha, 2024-2025; “Regina Siveira: Other Paradoxes”, Museu de Arte Contemporânea -MAC/USP , São Paulo, Brasil, 2021-22; “Limiares”, Paço das Artes, São Paulo, Brasil 2020; “Up There”, Farol Santander, São Paulo, Brasil, 2019; “EXIT”, Museu Brasileiro da Escultura – MuBE, São Paulo, Brasil, 2018; Unrealized /NãoFeito “, Alexander Gray Associates, NY, USA, 2019, “Todas As Escadas”, Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil, 2018; “Regina Silveira”,; “Crash”, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil, 2015; “El Sueño de Mirra y Otras Constelaciones”, Museo Amparo, Puebla, México, 2014; “1001 Dias e Outros Enigmas”, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre Brasil, 2011; “Abyssal”, Galeria Atlas Sztuki, Lodz, Polônia, 2010; “Lumen”, Museo Nacional de Centro de Arte Reina Sofia, Madri, Espanha, 2005.

As bolsas internacionais recebidas foram das John Simon Guggenheim Foundation (1990), Pollock-Krasner Foundation (1993) e Fulbright Foundation (1994).

O seu trabalho está representado em muitos acervos públicos, entre outros: Banco de la República de Bogotá, Bogotá, Colombia; Coleção Itaú, São Paulo, Brasil; Coleção SESC, São Paulo, Brasil; El Museo del Barrio, New York, USA; Museum of Fine Arts, Houston, TX, USA; MAC – Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Brazil; MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – São Paulo, Brazil; MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil; MAM – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brazil; Agnes Etherington Art Centre, Kyngston, Canada; San Diego Museum of Contemporary Art, La Jolla, USA; Taipei Fine Arts Museum, Taiwan; The Museum of Modern Art, New York, USA ; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil; Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madrid, Spain. https://reginasilveira.com

Agnaldo Farias é professor da FAUUSP, curador e crítico de arte.