O Instituto de Arte Contemporânea — IAC e o grupo de pesquisa Academia de Curadoria apresentam a exposição “vigas-mestras: outras narrativas concretas” composta por documentos dos fundos de artistas concretistas depositados no Instituto: Hermelindo Fiaminghi, Lothar Charoux, Luiz Sacilotto, Sérvulo Esmeraldo e Willys de Castro. A pesquisa, expografia digital, ativação e o material educativo da exposição foi elaborado pela equipe da Academia, formada por pesquisadores dedicados a realizar projetos curatoriais para instituições.

Com um olhar voltado para a recepção crítica desses artistas, os integrantes da Academia de Curadoria mergulharam nesses arquivos sem um recorte investigativo-curatorial a priori. A partir dessa primeira pesquisa, o material foi sendo organizado segundo perspectivas alternativas em relação à historiografia da arte concreta no país, sendo organizado nas cinco mostras que compõem a exposição: “Hermelindo Fiaminghi: O Vento Continua”, “O Rigor da Sensibilidade de Lothar Charoux”, “Sacilotto Expressionista”, “Sérvulo Esmeraldo: um concreto entre eixos” e “Willys e Barsotti: indícios de uma parceria”.

“Durante a pesquisa, notamos como entre as várias histórias contadas por esses fundos havia cruzamentos inéditos e mesmo assuntos caros aos debates contemporâneos do cenário artístico, muitos dos quais ainda pouco ou nada abordados a partir das artes concretas” — Ana Avelar, professora do curso de Teoria Crítica e História da Arte da UnB e coordenadora do grupo.

Hermelindo Fiaminghi (São Paulo, 1920 – São Paulo, 2004). Pintor e desenhista, publicitário, litógrafo e artista gráfico. Aderiu ao Grupo Ruptura e atuou junto aos poetas concretos, desenvolvendo o projeto gráfico de vários poemas. A partir dos anos 1960, passa a nomear sua produção como corluz. Nos anos 1980, permite-se uma maior liberdade em relação à estrutura da tela e do papel e realiza suas séries de desretratos e despaisagens, contudo, sua busca continuaria a mesma: a luz e a cor como recurso.

Lothar Charoux (Viena, 1912 – São Paulo, 1987). Iniciou os estudos em arte com seu tio, o escultor austríaco Siegfried Charoux. Chegou ao Brasil em 1928 e logo se fixou em São Paulo, onde frequentou o Liceu de Artes e Ofícios. Em 1947, realizou sua primeira exposição individual na Galeria Itapetininga. A partir de 1948, volta-se às questões construtivas e é signatário do Manifesto Ruptura em 1952. Com Hermelindo Fiaminghi e Luiz Sacilotto criou a Associação de Artes Visuais NT – Novas Tendências, em 1963. Foi homenageado com retrospectiva no MAM-SP e no MAM-RJ em 1974. Em 2005, foi publicado o livro Lothar Charoux: A Poética da Linha, organizado por Maria Alice Milliet.

Luiz Sacilotto (Santo André, 1924 – São Bernardo do Campo, 2003). Começou seus estudos na Escola Profissional Masculina do Brás em 1938, no curso de pintura industrial. Apresenta em seus primeiros trabalhos composições figurativas de tendência. Expressionista e, já em fins da década de 1940, começa suas pesquisas iniciais acerca da abstração geométrica e da arte concreta. Participa da formação do Grupo Ruptura ao lado de Waldemar Cordeiro e Lothar Charoux, sendo um dos signatários do manifesto de 1952. É tido como um dos principais expoentes da arte concreta no país.

Sérvulo Esmeraldo (Crato, 1929 – Fortaleza, 2017) foi um artista plural que explorou ao longo de sua carreira diversas linguagens, sendo considerado escultor, gravador, ilustrador e pintor. Em 1957, realizou exposição individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo, no mesmo ano ganhou bolsa de estudos do governo francês, residindo no país até 1979. Em Paris, frequenta o ateliê de litogravura da École Nationale des Beaux-Arts e estuda com Johnny Friedlaender. Sérvulo realizou diversas exposições na Europa e no Brasil.

Willys de Castro (Uberlândia, 1926 – São Paulo, 1988), artista plástico, expoente do movimento neoconcreto, ficou conhecido por sua atuação múltipla na música, teatro, poesia e programação visual. Com o pintor Hércules Barsotti, fundou o Estúdio de Projetos Gráficos (1954-1964) e estabeleceu uma relação de parceria que durou até o fim de sua vida. Seus Objetos Ativos questionam a utilização da tela enquanto suporte da linguagem pictórica ao unir a cor da pintura ao relevo da escultura, propondo a movimentação do espectador para a apreciação de toda a extensão da obra.

A Academia de Curadoria é um Grupo de Pesquisa (CNPq/UnB) que desenvolve projetos pedagógico-curatoriais para instituições, oferecendo assim suporte em curadoria, comunicação e educação em arte por meio de parcerias.

Atualmente, seus integrantes são acadêmicos em diversos níveis (graduação e pós-graduação), e pesquisadores independentes, localizados em Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Porto, Portugal, que se dedicam a refletir e produzir conhecimento sobre curadoria de exposições, ao mesmo tempo em que realizam discussões sobre temas que dizem respeito à curadoria hoje, por meio dos Seminários Permanentes.

O Instituto de Arte Contemporânea — IAC realiza esta parceria com a Academia de Curadoria com o objetivo de abrir espaço para pesquisadores vinculados às universidades brasileiras e estreitar o laço com elas, afim de incentivar a pesquisa científica no Brasil a partir de seu acervo.

O IAC tem como principal propósito ser um centro de documentação e pesquisa aberto para receber pesquisadores do Brasil e de todo o mundo. Seu acervo conta hoje com 70 mil documentos, aproximadamente, em diversos formatos. Para se ter acesso, os pesquisadores podem trabalhar de maneira remota, por meio do banco de dados online, não ficando restrito somente presencial.

Um dos aspectos mais interessantes foi que a equipe da Academia de Curadoria se colocou o seguinte desafio – a exposição deveria ser fruto do que estivesse disponível no banco de dados online. E o resultado foi uma leitura inédita e um olhar inesperado para o acervo propondo novas reflexões sobre estes artistas e sobre a história da arte no país.

Estamos muito felizes e esperamos que todos gostem desta primeira experiência e parceria.