O Instituto de Arte Contemporânea tem o prazer de realizar a segunda edição do projeto Diálogos Contemporâneos – Acervo IAC. Este projeto é uma iniciativa do Instituto para criar exposições que integram documentos do acervo do IAC com documentos ou obras de artistas externos. A iniciativa promove uma oxigenação do acervo institucional, uma vez que há uma releitura de suas essências por meio da obra de outro artista. Há um efeito revelador e multiplicador do próprio acervo do IAC e também um efeito secundário, criador, que nasce a partir desse diálogo.

Na exposição Rascunhos – Arnaldo Antunes, o IAC renova seu compromisso de promover diálogos entre diferentes linguagens artísticas, conectando obras e processos que transcendem as barreiras do tempo e das disciplinas. Trata-se de uma mostra significativa, que traz à luz uma cuidadosa seleção de documentos e obras de artistas do acervo do Instituto, realizada pelo multiartista Arnaldo Antunes e pelo curador Daniel Rangel.

 

Arnaldo Antunes
sem título, s/d
acervo Arnaldo Antunes
Crédito: Júlia Hallal

“ O gesto caligráfico, o escorrer do nanquim, as colagens verbais, fonéticas e visuais, a incorporação do acaso e a insistente variação de uma mesma ideia outra, quase igual, são procedimentos que atravessam o processo criativo de Arnaldo Antunes.”

— Daniel Rangel, curador

 

A mostra ressalta a importância dos rascunhos como elementos fundamentais no processo criativo, no qual escolhas e experimentações moldam o resultado final das obras. Em Rascunhos, os poemas visuais de Antunes entram em diálogo com esboços e experimentos de outros grandes nomes da arte contemporânea, como Antonio Dias, Carmela Gross, Hermelindo Fiaminghi, Jorge Wilheim, Lothar Charoux, Luiz Sacilotto, Regina Silveira, Rubem Ludolf, Sergio Camargo, Sérvulo Esmeraldo e Willys de Castro.

“ A multidisciplinaridade faz jus à sua herança verbivocovisual, influenciada simultaneamente pelas dimensões verbais, sonoras e visuais. Esta exposição reflete a diversidade de sua obra, conectando-a aos processos e criações dos artistas que compõem o acervo do IAC.”
​
— Daniel Rangel, curador

 

Este projeto, inserido no contexto do Diálogos Contemporâneos – Acervo IAC, reafirma a relevância dos artistas da coleção do Instituto e demonstra como as criações deles permanecem atuais e influentes, estabelecendo conexões significativas com as novas gerações.

Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho, mais conhecido como Arnaldo Antunes, nasceu em 2 de setembro de 1960, em São Paulo. Filho de uma família numerosa, ele é o quarto de sete filhos. Desde cedo, demonstrou grande interesse pelas artes, especialmente pela música e poesia. Em 1978, ingressou na Universidade de São Paulo (USP) para estudar Linguística, mas acabou abandonando o curso devido ao sucesso crescente de sua banda, os Titãs, que fundou com amigos em 1982.

 

Nos Titãs, Arnaldo se destacou como letrista e vocalista, contribuindo significativamente para o repertório da banda, que se tornou um dos maiores ícones do rock brasileiro nas décadas de 1980 e 1990. Durante sua permanência no grupo, participou da criação de álbuns clássicos como Cabeça Dinossauro (1986) e Õ Blésq Blom (1989). Em 1992, ele deixou a banda para seguir carreira solo, mas continuou colaborando com seus ex-companheiros em diversos projetos.

 

Além de sua carreira musical, Arnaldo é um renomado poeta e artista visual, com forte influência da poesia concreta e da vanguarda artística brasileira. Suas obras poéticas e literárias, como Tudos (1991) e Agora Aqui Ninguém Precisa de Si (2015), o consagraram como um dos poetas mais relevantes do século XXI, ao lado de nomes como Adélia Prado.

 

Arnaldo também se aventurou nas artes plásticas, expondo seus trabalhos em diversas galerias e consolidando sua versatilidade artística. Seu impacto na cultura brasileira é vasto, abrangendo música, literatura e artes visuais, e sua obra continua a influenciar novas gerações de artistas e escritores.

 

Na música, lançou uma série de álbuns solo, como Nome (1993), O Silêncio (1996), Saiba (2004), e O Real Resiste (2020). Também participou de projetos de grande sucesso, como o grupo Tribalistas, ao lado de Marisa Monte e Carlinhos Brown. Na literatura, além de Tudos e Agora Aqui Ninguém Precisa de Si, publicou outras obras importantes como Palavra Desordem (2002) e Melhores Poemas (2010).

 

Em 2018, sua vida e obra foram retratadas no documentário Com a palavra, Arnaldo Antunes, dirigido por Marcelo Machado. Ele também atuou em filmes como Areias Escaldantes (1985) e Eu e Meu Guarda-Chuva (2010), mostrando mais uma faceta de sua criatividade artística.

 

Discografia – Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Arnaldo_Antunes

 

Solo

 

Álbuns de estúdio

  • Nome (1993)

  • Ninguém (1995)

  • O Silêncio (1996)

  • Um Som (1998)

  • Paradeiro (2001)

  • Saiba (2004)

  • Qualquer (2006)

  • Iê Iê Iê (2009)

  • Disco (2013)

  • Já É (2015)

  • RSTUVXZ (2018)

  • O Real Resiste (2020)

  • Lágrimas no Mar (2021)

 

Álbuns ao Vivo

  • Ao Vivo no Estúdio (2007)

  • Ao Vivo lá Em Casa (2010)

  • Acústico MTV – Arnaldo Antunes (2012)

  • Ao Vivo em Lisboa (2017)

 

Trilhas sonoras

  • O Corpo (2000)

 

Especiais

  • Pequeno Cidadão (2009) (em parceria com Antonio Pinto, Edgard Scandurra e Taciana Barros)

  • Especial MTV – A Curva da Cintura (2011) (em parceria com Edgard Scandurra e Toumani Diabaté)

 

com os Titãs

 

Álbuns de estúdio

  • Titãs (1984)

  • Televisão (1985)

  • Cabeça Dinossauro (1986)

  • Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1987)

  • Õ Blésq Blom (1989)

  • Tudo ao Mesmo Tempo Agora (1991)

 

Álbuns ao vivo

  • Go Back (1988)

 

Com os Tribalistas

  • Tribalistas (2002)

  • Tribalistas (2017)

 

Participações

  • Hangar - The Reason of Your Conviction, narração na faixa Just The Beginning (2007)

  • Nando Reis - Jardim-Pomar, na faixa “Azul de Presunto” (2016)

 

Videografia

  • Nome (1993)

  • Tribalistas (2002)

  • Ao Vivo no Estúdio (2007)

  • Ao Vivo lá Em Casa (2010)

  • Pequeno Cidadão (2011)

  • Especial MTV – A Curva da Cintura (2011)

  • Acústico MTV – Arnaldo Antunes (2012)

  • Tribalistas (2017)

 

Livros

  • Ou e (Edição do autor, 1983).

  • Psia (Expressão, 1986).

  • Tudos (Iluminuras, 1991).

  • As Coisas (Iluminuras, 1991). Vencedor do Prêmio Jabuti.

  • Nome (BMG,1993).

  • 2 ou + Corpos no Mesmo Espaço (Perspectiva, 1997).

  • Doble Duplo (Zona de Obras / Tan, 2000).

  • 40 Escritos (Iluminuras, 2000).

  • Outro (Mirabilia, 2001).

  • Palavra Desordem (Iluminuras, 2002).

  • ET Eu Tu (Cosac & Naify, 2003).

  • Antologia (Quasi, 2006).

  • Frases do Tomé aos Três Anos (Alegoria, 2006).

  • Como É que Chama o Nome Disso (Publifolha, 2006).

  • Melhores Poemas (Global Editora, 2010).

  • n.d.a. (Iluminuras, 2010).

  • Animais (Editora 34, 2011).

  • Cultura (2012).

  • Saiba (DBA Editora, 2013).

  • Outros 40 (Iluminuras, 2014).

  • “Agora aqui ninguém precisa de si” (2015). Vencedor do Prêmio Jabuti.

  • Família (2015). em coautoria com Tony Bellotto

 

Televisão

  • MTV Brasil - Grêmio Recreativo (2011)

 

Cinema

  • Em 1985, atuou no filme Areias Escaldantes, um musical brasileiro.[27]

  • Em 2010, atuou no filme Eu e Meu Guarda-Chuva.

  • Em 2018, foi tema do documentário autobiográfica Com a palavra, Arnaldo Antunes, dirigido pelo cineasta Marcelo Machado.

Daniel Rangel é mestre em artes visuais pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), onde atualmente realiza o seu doutorado. É bacharel em comunicação social pela Universidade Católica de Salvador, pesquisador do Fórum Permanente, vinculado ao Instituto de Estudos Avançados da USP, e membro individual do International Biennial Association (IBA).

Pesquisador, curador e gestor, com mais de 20 anos de experiência no meio cultural, atualmente é curador do Museu de Arte Moderna da Bahia, curador do Prêmio Museu é Mundo e sócio da N+1 Arte Cultura, empresa que desenvolve conteúdos e realiza produções e planejamentos estratégicos na área cultural.

Daniel foi diretor artístico do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) de 2011 a 2016 e esteve à frente da Diretoria de Museus da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia entre 2008 e 2011.

Realizou a curadoria de eventos e exposições, entre as quais se destacam:

REVER_Augusto de Campos, no SESC Pompeia, considerada Melhor Exposição Individual de Artista Brasileiro em 2016 pela revista seLecT;

Palavra em Movimento, sobre a trajetória visual de Arnaldo Antunes, que recebeu o prêmio APCA 2015 de Melhor Exposição de Artes Gráficas;

My name is Ivald Granato, exposição ganhadora do Prêmio Arcanjo de Cultura 2020, na categoria Artes Visuais;

Ready Made in Brasil, 8ª Bienal de Curitiba;

15ª e 16ª Bienal de Cerveira – Portugal;

Festival Art.br# 1, 2 e 3, em Nova York; e

2º World Biennial Forum – São Paulo.

Organizou publicações diversas, como:

“Klaxon em revista” (Cosac Naify, 2012);

“Making Biennials in Contemporary Times” (ICCo/ Biennial Foundation, 2014);

“Luzescrita: Poemas escritos com luz de Arnaldo Antunes, Fernando Lazlo e Walter Silveira” (N+1 Arte Cultura, 2016);

“Ready Made in Brasil: A ressonância mórfica duchampiana brasileira” (N+1 Arte Cultura, 2017); e

“Afonso Tostes: Entre a cidade e natureza” (Cobogó, 2019).

Realizou ainda a curadoria de exposições individuais de importantes artistas brasileiros, como Tunga, Waltercio Caldas, José Resende, Carlito Carvalhosa, Ana Maria Tavares, Marcos Chaves, Eder Santos e Rodrigo Braga.

Também realizou a curadoria de outras mostras coletivas, como: Transit – coleção contemporânea de arte africana; Luzescrita; Poesis in Praxis – Tunga and Lenora de Barros, realizada no Pioneer Works, em Nova York; e o projeto RUA – Roteiro Urbano de Arte, na Cidade Baixa, em Salvador.