O Instituto de Arte Contemporânea — IAC apresenta Diálogos Contemporâneos: Marilá, Willys, Lothar. Com curadoria de Giancarlo Hannud, a exposição reúne uma série de trabalhos de Marilá Dardot, alguns produzidos durante a pandemia e a ela profundamente relacionados, além de trabalhos e documentos de Willys de Castro e Lothar Charoux.

 

“Diálogos Contemporâneos” é um novo projeto do IAC que tem por objetivo convidar artistas para realizar uma conversa inédita com os arquivos preservados pelo Instituto.

 

“Quais seriam as possíveis entradas de um acervo constituído por partes tão díspares quanto as do Instituto de Arte Contemporânea? Quais os documentos, anotações, projetos e rabiscos de artistas que são revelados ao público, e quais os que permanecem velados do olhar desse mesmo público? Quais seriam as possíveis relações entre esses documentos, resquícios de uma existência prosaica, objetiva e cotidiana, e as obras desses artistas? E finalmente, qual a possibilidade de um verdadeiro diálogo entre esses múltiplos papéis e histórias e a produção de uma artista contemporânea?

 

Essas são apenas algumas das perguntas que tentamos tratar na mostra Diálogos contemporâneos: Marilá, Willys, Lothar, sem buscar dar uma resposta definitiva a nenhuma delas, mas sim sugerir outras perguntas e possíveis linhas de continuidade.

 

Ao reunir uma série de trabalhos de Marilá Dardot, alguns dos quais produzidos durante a pandemia de COVID e a ela profundamente relacionados, com trabalhos e documentos de Lothar Charoux e Willys de Castro de forma liricamente livre, algumas linhas de continuidade parecem surgir: uma obsessão pela forma, bem como seu quase abandono, um senso de humor enviesado, concreto e oblíquo, uma poesia de fragmentos e de olhares de relance, além dos próprios fetiches desses artistas, auxiliares de sua produção, núcleos de energia contida que ao serem relacionados com outras seções de suas produções adquirem novas e instigantes sugestões expressivas.

 

Ao indagar a própria natureza dessas coleções buscamos libertar os arquivos e fundos pertencentes ao IAC de sua costumeira e necessária aridez expressiva, expondo o que permanece escondido para reavivar histórias e relações transversais de artistas diametralmente opostos em suas ambições.” — Giancarlo Hannud

Marilá Dardot (Belo Horizonte, 1973) é artista visual e Mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Vive e trabalha na Cidade do México. Trabalha com diversos meios, como vídeos, fotografias, gravuras, esculturas, pinturas, ações, instalações e site-specifics, sendo a linguagem e a literatura suas fontes de inspiração constante. Alguns de seus projetos propõem participação do público e colaborações com outros artistas. Suas obras fazem parte de relevantes coleções particulares e museus, como: Inhotim, Pinacoteca de São Paulo, MAM SP, MAM RJ, Sayago e Pardon Collection, Suna and Inan Kiraç Foundation, entre outras.

Lothar Charoux (Viena, 1912 – São Paulo, 1987) pertenceu ao grupo de pioneiros que em 1952 lançou em São Paulo o manifesto Ruptura, cujo verso vinha escrito em vermelho: A obra de arte não contém uma ideia, é ela mesma uma ideia. Ao negar a arte cópia da realidade em favor da arte concreta, esse postulado produziu um corte radical em relação à tradição figurativa. Na prática, a introdução dos princípios construtivos na arte brasileira constituiu uma revolução estética cujos efeitos chegam até nossos dias. A obra de Charoux pode ser encontrada em inúmeras coleções no Brasil e exterior, destacam-se: MAC USP, MAC Nitério, MAM SP, MAM Bahia, MAM RJ, Pinacoteca de São Paulo, Fundação Edson Queiróz, Museum of Fine Arts Houston, entre outras.

Willys de Castro (Uberlândia, 1926 – São Paulo, 1988) conhecido por uma atuação múltipla, entrou para a história da arte brasileira como artista plástico. Em sua busca pelo universal, associada a uma formação bem estruturada lhe permitiu ultrapassar as artes plásticas enveredando pela música, teatro, poesia, design gráfico, pela arte que se projeta para além dos limites que caracterizam uma determinada forma de expressão artística. Desde o início dos anos 1950, Willys de Castro escreve, estuda e traduz poemas concretos. Seu interesse pela poesia o levou a escrever uma série de poemas valorizando tanto a importância gráfica das palavras distribuídas no papel, a visualidade que muitos deles sugerem e, acima de tudo, sua sonoridade muito distinta. São de Willys de Castro as inéditas partituras de verbalização das poesias concretas que foram interpretadas pelo Movimento Ars Nova. Assim como os demais, Willys tem sua obra presente nos mais relevantes acervos do país, como a Pinacoteca de São Paulo, MAM SP, MAM RJ, Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, fora do Brasil, o destaque fica para a Fundación Cisneros – Colección Patricia Phelps de Cisneros.

Giancarlo Hannud

O historiador da arte e curador – Giancarlo Hannud estudou artes plásticas na Slade School of Fine Art, UCL, em Londres, e é mestre pelo Warburg Institute – School of Advanced Study. Hannud foi curador da Pinacoteca do Estado de São Paulo entre 2010 e 2015, onde foi responsável pelas mostras Fato aberto: o desenho no acervo da Pinacoteca do Estado, em 2013, Guillermo Kuitca: filosofia para princesas em 2014 e Roberto Burle Marx: uma vontade de beleza, em 2015. Foi professor de história da arte da Faculdade Santa Marcelina entre 2014 e 2017 e diretor do Museu Lasar Segall de 2018 a 2021. Dentre suas exposições estão Antonio Bandeira, realizada no MAM/SP em 2019, Alex Cerveny: palimpsesto (2019), e Eduardo Berliner: desenhos (2021), todas elas realizadas no Museu Lasar Segall. Em 2022 foi o responsável pela curadoria da exposição Paulo von Poser: desenhos nus 1982-2022 na VERVE Galeria.