Luzes, ondas eletromagnéticas que possuem intensidade, frequência e polarização; força, movimento, brilho. Ocorrências físicas que trouxeram para o mundo da cultura movimentos, formas de pensamento e inúmeras figuras de linguagem com as quais tentamos descrever o que a arte projeta sobre os seres humanos.

​O Instituto de Arte Contemporânea, vocacionado para a preservação e a disseminação de arquivos pessoais de artistas permite que, em sua exposição que comemora a abertura de sua nova sede, possamos traçar uma quase tautologia entre luzes e memória para atualizar e ativar uma série de descobertas feitas em seus arquivos.

Nossa história começa em 1997 com Willys de Castro e Sergio Camargo. Com os anos vieram Amilcar de Castro, Luiz Sacilotto, Lothar Charoux, Hermelindo Fiaminghi, Sérvulo Esmeraldo e Iole de Freitas. Mais recentemente, Carmela Gross, Antônio Dias, Ivan Serpa, Jorge Willhein e Rubem Ludolf ingressam no elenco do IAC em 2020.

A memória ali preservada é a cura contra o esquecimento das coisas do mundo, da arte e dos objetos, da obra e do artista. Um lugar confessional repleto de índices taxonômicos como listas, números, coleções, esboços, anotações, rabiscos, rastros, símbolos, repetições, experiências, testes, textos, escritos, cartas, bilhetes, amostras, tentativas, partes, pedaços e assim por diante. Diríamos ainda, infindáveis possibilidades que constituem o grande arquivo impregnado de memória viva com suas classificações.

​Projetos não realizados ou realizados e pouco vistos, agora, tornam à luz e presentificam a memória por meio do olhar do público.

​Arquivos são fontes inesgotáveis. São rastros da obra ou de tudo aquilo que não a deixa ser esquecida. São registros que permitem o testemunho visual, oral e escrito de quem pensou e realizou algo, o lado ‘concreto’ da memória.

​A exposição, por sua vez, é um mundo em seu lugar, sem fronteiras pois, mostrar arquivos não tem limites e nem regras a reger o pensamento que se vê ali acumulado, é um processo livre e completo. Está aberto aos erros e acertos como fórmula radical de sobrevivência da obra, que garantirá sua permanência no futuro.

​Marilucia Bottallo e Ricardo Resende (curadores)