A primeira exposição de Paulo Bruscky no Instituto de Arte Contemporânea – IAC, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, celebra a chegada de parte do acervo do artista à institutição e foi concebida a partir de pesquisas em seu infindável arquivo pessoal, essa espécie de “Biblioteca de Babel” borgeana no Recife onde convivem e conversam cartas, obras, poemas, ideias do próprio Bruscky e de um número incalculável de outros artistas, de maneira análoga ao que acontece, de certa forma, no próprio IAC.

Como qualquer arquivo de grandes dimensões, o de Bruscky é labiríntico e potencialmente infinito, porque cada uma das suas partes aponta simultaneamente para inúmeras outras, tornando impossível a tarefa de abarcá-lo. E como qualquer labirinto, portanto, só pode ser explorado segurando na mão um fio que permita encontrar o caminho de volta.

 

Damaso Ogaz
(Venezuela)

O eixo escolhido, em diálogo com o próprio artista, foi o da colaboração, apoio e afinidade do artista com colegas ao redor do mundo que enfrentavam, como ele, as ameaças e os perigos de regimes opressores. Considerando o engajamento de décadas de Bruscky nas lutas e na resistência política, é particularmente instigante que esta seja a primeira mostra individual do artista a adotar esse recorte como mote de leitura na sua produção e no seu arquivo, colocando finalmente seu trabalho no lugar que lhe pertence também a partir desse ponto de vista específico.

Alguns trabalhos são mais diretos e literais, outros apenas alusivos; alguns buscam na poesia e na leveza um antídoto às violências e às dificuldades do dia a dia, outros cruzam os limites indefiníveis do âmbito da arte para convocar apoio para uma luta inadiável. O conjunto aqui exposto é, evidentemente, apenas metonímico, é uma parte que fala de um todo muito maior, muito mais rico, multiforme, magmático. Um todo que, de certa forma, é o mundo.

— jacopo crivelli visconti

A exposição tem o apoio da Galeria Nara Roesler, apoio institucional do Arquivo Paulo Brusky e o educativo é apoiado pelo Instituto Galo da Manhã. As atividades do IAC são amparadas pela Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, Governo Federal.

Paulo Bruscky
O artista tem participado de diversas exposições no Brasil e no exterior, incluindo inúmeras bienais, como as 16ª, 20ª, 26ª e 29ª edições da Bienal de São Paulo, Brasil (1981, 1989, 2004 e 2010), 57ª Bienal de Veneza, Itália (2017); e a 10ª Bienal de La Habana, Cuba (2009), entre outras. Exposições individuais recentes incluem: Paulo Bruscky. Eteceterate, na Fundación Luis Seoane (2018), n’A Coruña, Espanha; Xeroperformance, no Americas Society / Council of the Americas (AS/COA) (2017), em Nova York, Estados Unidos; Paulo Bruscky: Artist Books and Films, 1970–2013, no The Mistake Room (2015), em Los Angeles, Estados Unidos; e no Another Space (2015), em Nova York, Estados Unidos; Paulo Bruscky, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) (2014), em São Paulo, Brasil; Paulo Bruscky: Art is our Last Hope, no Bronx Museum (2013), em Nova York, Estados Unidos; Ars brevis, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) (2007), em São Paulo, Brasil.

Sua obra faz parte de importantes coleções como: Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York, EUA; The Museum of Modern Art (MoMA), Nova York, EUA; Museu d’Art Contemporani de Barcelona, Barcelona, Espanha; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo, Brasil; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), São Paulo, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil; Stedelijk Museum, Amsterdam, Holanda; Tate Gallery, Londres, RU, entre outros.

Jacopo Crivelli Visconti
Curador e crítico de arte radicado em São Paulo, Jacopo Crivelli Visconti (1973, Nápoles, Itália) foi curador geral da 34ª Bienal de São Paulo – Faz escuro mas eu canto (2020-2021) e da participação nacional do Brasil na 59ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia (2022). Doutor em Arquitetura pela Universidade de São Paulo – USP, foi membro da equipe da Fundação Bienal de São Paulo entre 2001 e 2009, quando realizou a curadoria da participação oficial brasileira na 52ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia (2007). Entre seus trabalhos recentes estão: Untimely, Again, Pavilhão da República de Chipre na 58ª Biennale di Venezia, Itália (2019); Brasile – Il coltello nella carne, PAC – Padiglione d’arte contemporanea, Milão, Itália (2018); Matriz do tempo real, MAC USP, Brasil (2018); Memories of Underdevelopment, Museum of Contemporary Art of San Diego, EUA (2017); Héctor Zamora – Dinâmica não linear, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo (2016); Sean Scully, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil (2015); Ir para volver, 12ª Bienal de Cuenca, Equador (2014). É autor de Novas derivas (WMF Martins Fontes, São Paulo, Brasil, 2014; Ediciones Metales Pesados, Santiago, Chile, 2016). Colabora regularmente com publicações de arte contemporânea, arquitetura e design, além de escrever para catálogos de exposições e monografias de artistas.

Arquivo Paulo Bruscky

Todos os materiais que integram a exposição Atitude Política provêm do Arquivo Paulo Bruscky, construído há mais de cinco décadas pelo artista multimídia pernambucano Paulo Bruscky, de maneira independente. Referência internacional para pesquisadores em arte contemporânea, o Arquivo sinaliza a relevância das práticas colaborativas e da comunicação como elementos centrais da trajetória brusckyana. É o maior acervo de arte e multimeios da América Latina, e um dos maiores do mundo, com cerca de 70 mil itens, entre obras, publicações, documentos e correspondências, de aproximadamente 1.000 artistas de 52 países, abrangendo as mais importantes vanguardas do século XX.

O Arquivo integrou a 26ª Bienal de São Paulo (2004), quando foi remontado integralmente no pavilhão expositivo. Em 2011, participou do “States of Independence: A Global Forum on Alternative Practice”, organizado por Clara Kim e realizado no REDCAT, em Los Angeles, CA. Em 2019, Paulo Bruscky ministrou a palestra “The Archive as Artwork” no FM Centro per l’Arte Contemporanea (Milão, Itália), a convite da instituição, onde discutiu o processo de articulação do Arquivo Paulo Bruscky enquanto espaço de pesquisa e criação, assim como suas interseções e intercâmbios criativos com artistas italianos/as. O Arquivo também foi objeto de artigos nas publicações estadunidenses Leonardo e Art journal.

Paulo Bruscky, Yuri Bruscky e Raíza Bruscky

 


 

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© Denise Andrade